Eu estive em inúmeras reuniões com líderes de igrejas que estão fervorosos por um avivamento em nossa nação e/ou nossas igrejas e comunidades.

Certa vez, após um líder espiritual nacional falar sobre a necessidade da igreja orar por avivamento, levantei minha mão e perguntei: “Por qual propósito nós realmente precisamos de um avivamento?” Ele ficou estarrecido por essa simples pergunta e não conseguiu me responder.

Eu descobri que avivamento por e em si mesmo nunca é suficiente!

Por avivamento nos referimos à quando Deus ressuscita Seu povo restaurando sua paixão e seu chamado por Ele! Isto é geralmente acompanhado do ganho de muitas almas e de oração pessoal mais íntima e oração corporativa mais frequente, para que o avivamento possa se sustentar.

Isso tudo é muito bom, especialmente se sua igreja local está morta ou morna com relação ao ganho de almas, à oração e ao seu chamado para servir a Deus! No entanto, por mais importante que isto seja, os crentes precisam entender por qual propósito queremos ser reavivados! Não é suficiente se o que desejamos é apenas ganhar mais almas! Eu disse em diversas reuniões pastorais que o preparo e o estudo para o avivamento são tão importantes quanto a oração pelo avivamento.

A seguir algumas razões pelas quais o avivamento não é suficiente:

1. Igrejas precisam ter uma base de liderança ampla o suficiente para pastorear os novos convertidos que entram na igreja, do contrário não é prático orar por um avivamento que trará uma multidão. Por exemplo, se a típica igreja local dos Estados Unidos ganhasse 100 novos membros por semana a maioria dos pastores teria um colapso nervoso, porque não poderiam dar conta de sua igreja local dobrando de tamanho do dia para a noite! Deuteronômio 7.22 nos ensina que Deus permitiria que os filhos de Israel possuíssem a Terra Prometida pouco a pouco, de outra maneira não conseguiriam administrá-la e seria tomada por animais selvagens! Portanto, o primeiro passo no preparo para o avivamento é equipar o santos para o trabalho do ministério para que a igreja consiga controlar o fluxo de novos convertidos que precisam ser nutridos e cuidados. Do contrário, seríamos como uma mãe que dá à luz um filho e o deixa sozinho para tomar conta de si mesmo!

2. Um avivamento precisa de objetivos bíblicos

Jesus nos ensinou a orar para que Seu reino venha e para que Sua vontade seja feita na terra assim como é feita no céu (Mateus 6.9-11). Orar apenas para que a igreja seja reavivada sem uma razão para isso é insensatez! Não basta estarmos vivos, precisamos ter um propósito para nossa vidas e nossa fé. Jesus nos disse que manifestar o Reino de Deus na terra é nosso principal propósito neste lado do céu! Por isso Ele nos chamou de sal da terra e luz do mundo (Mateus 5.13-16).

Portanto, precisamos de uma reforma em nossa sociedade como meta juntamente com o avivamento da igreja ou então perderemos o presente propósito da salvação. Salvação não é somente ir para o céu, e sim estabelecer uma testemunha do reino na terra como parte de nosso chamado para servir o planeta, de acordo com o Mandato Cultural (Gênesis 1.27-28). Este mandato nos dá o quadro geral de toda a Escritura e nos dá um entendimento da primeira e segunda vindas de Cristo, Sua morte e ressurreição, o propósito da igreja e razão principal pela qual Deus criou a humanidade! Quando Jesus comissionou a igreja a “discipular as nações” em Mateus 28.19, como “Último Adão” (I Coríntios 15.45) Ele estava se referindo ao Mandato Cultural original de Gênesis 1.28, no qual Deus chamou Seu povo a trazer Seu domínio em cada esfera da ordem criada! Este fato isolado traz propósito a todos os crentes, uma vez que a igreja inteira é necessária para liderar a criação sob Seu senhorio!

Avivamento sem reforma apenas enche prédios e reconhece somente aqueles servos com ministério de tempo integral na igreja como ministros no reino! É verdade que o avivamento traz almas para a igreja, mas reforma envia a igreja para a comunidade para trazer transformação social!

3. Avivamentos contemporâneos não mudaram a cultura

Os avivamentos do século XX em geral exerceram efeitos apenas a curto prazo na cultura porque a maioria deles não alcançou os guardiões[1] principais da cidade. Apenas 3% da população toma decisões para o resto da nação[2]. Portanto, a menos que esses guardiões sejam alcançados continuaremos a ter multidões recebendo a Cristo sem testemunharmos uma mudança positiva na cultura! Em contraste, o Primeiro e o Segundo Grandes Avivamentos de Wesley, Whitefield e Finney alcançaram muitos líderes políticos, econômicos e culturais de seus dias e mudaram o destino de nações! Por exemplo, o Primeiro Grande Avivamento ajudou a dar à luz a Revolução Americana e o Segundo Grande Avivamento foi o ímpeto para a abolição da escravatura nos Estados Unidos!

4. Avivamentos precisam incluir os padrões éticos necessários para uma sociedade próspera

Após guardiões e líderes culturais emergentes serem salvos em nossas igrejas, temos que nos perguntar o seguinte: “Segundo qual padrão iremos liderar nossa nação?” O avivamento típico apenas traz almas à igreja, mas nunca lida com questões culturais sistêmicas como políticas públicas. O resultado é que temos reavivado igrejas com milhares de líderes civis cristãos (que frequentam essas igrejas) que lideram suas comunidades e sua nação segundo uma cosmo visão humanística!

Verdadeiramente, a palavra de Deus não apenas lida com conversão individual, mas também com conversão institucional! Portanto, precisamos de um plano que inclui atrair as multidões e ensinar a cosmo visão bíblica à guardiões emergentes e ativos que frequentam nossas igrejas locais. Apenas ensinar ao novo convertido prefeito ou grande empresário a serem cheios do Espírito Santo e a amar suas esposas não é suficiente! Apenas a lei de Deus encontrada nos Dez Mandamentos e nas 613 leis civis (e aplicadas especificamente nos profetas maiores e menores e nos livros poéticos) nos dá realmente o padrão bíblico de ética que pode moldar as leis de uma nação. O Novo Testamento modifica, e em alguns casos abole, a penalidade por quebrar algumas dessas leis (por exemplo, pecado sexual e rebeldia contra os pais) mas nunca revoga as leis civis e morais em princípio. (Segundo os livros do Novo Testamento de Hebreus e Gálatas, apenas a lei cerimonial foi extinguida em Cristo.)

Portanto, é necessário que pastores e líderes da comunidade estudem a lei de Deus do Velho Testamento como parte de seu processo de discipulado, ou então não teremos um padrão bíblico para a responsabilidade civil além de leis humanistas baseadas nos princípios de igualdade e no secularismo!



[1] NT: O autor usa o termo em inglês “gatekeeper” (traduzido como “guardião” ou “supervisor”) para se referir aos indivíduos que exercem papéis de autoridade e influência na sociedade, como políticos, grandes empresários e artistas.

[2] NT: Os Estados Unidos da América.